a primeira vez que li os livros da Elle Kennedy foi em 2015, quando The Deal foi lançada. inclusive, li a série Off Campus em inglês porque, na época, não tinham sido traduzidos aqui no Brasil. as capas ainda eram as icônicas fotos de homens sem camisa, e confesso que tinha amado as histórias, mas nunca mais voltei para reler (só guardava na memória que eram livros muito bons).
até que em 2025 a prime video anunciou o elenco da sua nova adaptação, e um ano depois, fomos agraciadas com a melhor série de comédia romântica que já assisti na minha vida. sério, entrou pro meu top 5 séries conforto assim que finalizei os 8 episódios.
antes de assistir à primeira temporada, fiz questão de reler toda a série, afinal, 11 anos tinham se passado desde que eu conheci o universo da Briar U. isso me permitiu assistir cada cena com os detalhes da história estavam fresquinhas na minha mente.
e talvez tenha sido por isso que finalizei a série com uma certeza: Off Campus melhorou vários aspectos de uma história que já era boa, curou traumas e resgatou algo que a gente achou que tinha perdido.
a capacidade de sentir tudo intensamente
acho que esse é o melhor jeito de explicar o que senti assistindo à série.
Off Campus me lembrou da época em que eu passava horas completamente obcecada por uma história, um artista, um filme… aquele auge da infância e adolescência dos anos 2000, sabe? o primeiro episódio da série não tinha nem acabado, e me peguei rindo feito boba pra tv como uma menina de 15 anos. e que coisa boa de se sentir quando se tem quase 30, em um mundo onde as mulheres foram ensinadas a sentir vergonha das coisas que amam.
até hoje, tudo o que envolve o universo feminino é tratado como exagero: amar uma boyband é histeria, ler romances é futilidade, se apaixonar por personagens fictícios é viver em outro mundo, e fazer parte de um fandom é obsessão. de alguma forma, existe sempre alguém pronto para transformar a paixão feminina em motivo de piada.
assistir Off Campus me fez ver, pela primeira vez em muito tempo, milhares de mulheres se permitindo amar alguma coisa sem pedir desculpas por isso.

queremos homens escritos por mulheres na vida real
é claro que Off Campus passa por todos os clichês que mais amamos: tem os jogadores de hockey lindos e populares, a garota inteligente, a melhor amiga que todo mundo ama, fake dating, um músico incompreendido, e o elenco mais incrível que podemos encontrar por aí. inclusive, já perdi as contas de quantas vezes vi edits de todos eles, além do fatídico vídeo do Belmont dançando GIRLS (viciei, de fato).
mas o sucesso da série, na minha opinião, não foi por conta de todos os clichês, e sim porque entregou tudo o que uma mulher ama ver e viver em um romance: conexão, parceria e respeito. são em cenas que parecem bobas aos olhos de quem não presta atenção, que nos apaixonamos ainda mais por cada personagem. vemos homens que escutam, que respeitam limites, que pedem desculpas, que criam ambientes seguros e apoiam mulheres.
me peguei várias vezes pensando “será que é pedir demais que existam homens assim?”. e não estou falando sobre aparência, ou gestos grandiosos. estou falando sobre homens que não odeiam mulheres, e que as enxergam como pessoas completas.
e talvez seja por isso que muitas mulheres se apaixonaram por Garrett, Dean, Logan e Tucker. não por serem perfeitos, longe disso, mas porque representam homens adultos emocionalmente inteligentes, parceiros e funcionais. queremos homens escritos por mulheres na vida real, e não só na ficção!
quando a ficção acolhe feridas reais
durante toda a série, inconscientemente, me peguei esperando falas e reações que nunca vieram: Garrett tendo alguma explosão de raiva pra cima da Hannah por estar à beira de nervos, Dean com algum comentário machista, Kendall sendo uma mean girl com a Hannah, ou algum personagem com demonstrações exacerbadas de ciúmes ou possessividade.
nada disso aconteceu. e quando eu percebi que nada havia acontecido, me deu um alívio tão grande! porque passamos anos assistindo e lendo histórias que romantizavam reações e falas super erradas como provas de amor. que coisa linda foi perceber que existe sim como ter qualquer tipo de relacionamento, seja ele amoroso ou não, de forma saudável.
tudo era resolvido com conversa, vulnerabilidade e vontade de resolver as coisas. até no momento do término do casal, não vimos uma fala errada ou qualquer sinal de desrespeito de ambas as partes. e tudo isso, tendo em vista que a idade de todos os personagens tá na faixa dos 20 e poucos anos.
a cena que mais me pegou, acredito que pra uma grande maioria também, é a conversa que a Hannah e a mãe dela têm por telefone. no meio da tristeza e do desespero da filha, ela percebe que Hannah está se desculpando e pergunta: “o que você fez de errado?”. aquilo me quebrou.
aí é que me faz pensar: como sociedade, ainda temos muito o que mudar quando o assunto é a criação das nossas crianças. tudo o que eu mais queria é que, daqui pra frente, a cultura popular se encha de histórias com relações saudáveis e personagens maduros. não perfeitos, mas que estejam dispostos a serem pessoas melhores, sabe?

a trilha sonora nostálgica
não tem como falar de Off Campus sem mencionar o trabalho impecável que tiveram com a trilha sonora. antes mesmo de começar a série, minha prima mais nova (que ficou tão apaixonada quanto eu) me falou pra prestar atenção às músicas e falar o que eu achei. e, assim como muitos fãs, eu amei!
cada música escolhida ajudou a gente a entender ainda mais a história, mesmo de forma inconsciente (e isso me faz amar ainda mais o universo musical). nada foi colocado ali pra preencher o silêncio, sabe? a trilha sonora conversa com os personagens, com os relacionamentos e com as emoções que a série quer transmitir.
sinto que, ao longo dos anos, perdemos aquele detalhe especial de reconhecer um filme, série ou novela pela música, sabe? tipo quando Carry On Wayward Son toca e me transporta direto pra Supernatural, ou quando começa Save Me e lembramos de Smallville na hora.
com Off Campus, sinto que resgatamos um pouco disso e eu amei! agora toda vez que escuto GIRLS, The Bitch is Back, Cherry Pie ou On The Floor, me aquece o coração por lembrar da série. e que sensação boa, viu?
minha análise completa (com spoilers)
se você já assistiu à série e quer ouvir minha opinião completa sobre a adaptação, gravei um vídeo comentando as mudanças em relação aos livros, os personagens, as cenas que mais gostei e tudo o que Off Campus acertou. é só dar play:
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