dois meses depois da estreia, tirei um tempo pra tentar escrever sobre como foi viver a experiência do meu primeiro teatro musical com Os Miseráveis. antes de tudo, preciso dar um breve contexto: desde que fui e voltei da Irlanda, entre 2023 e 2024, a minha vida musical estava bem parada e eu sentia muita falta de cantar. eu não sabia mais quem era a Yamana artista, o que eu gostava de cantar, que tipo de música eu poderia fazer um dia, e quais possibilidades eu tinha dentro da música.
até que entramos em 2026, e uma das principais metas do ano era me reconectar com a minha artista interior. entender quem sou eu dentro da música. e Os Miseráveis apareceu pra mim como um sinal divino falando “começa por aqui que você vai descobrir”!
15.08 | Teatro Paulo Gracindo, SESC Gama (duas sessões)




























vi um post patrocinado com audições abertas para o musical em Brasília, e que seria produzido por uma companhia que eu conhecia por conta da minha época de Canto Erudito na Escola de Música de Brasília: a Cia de Cantores Líricos. deu um nervoso de tentar, mas joguei meu tarot e fui arriscar. passei da primeira fase e fui pra etapa presencial. nunca fiquei tão nervosa em uma audição! esqueci a letra, cantei outra música com tudo que tinha dentro de mim, e saí de lá em prantos achando que tinha estragado tudo.
no outro dia, recebi a mensagem de que havia sido aprovada e fazia parte do ensemble do musical. fiquei em choque! um dos meus sonhos de vida era fazer um musical, e estar em um dos meus favoritos foi uma realização enorme! na outra semana, os ensaios começaram e, aos poucos, eu fui me apaixonando cada vez mais pelo processo de ver um espetáculo nascer.












foi desafiador tanto vocal quanto fisicamente. já mentalmente, eu estava em casa. a rotina de ensaios é uma loucura à parte: meu corpo cansava, minha voz pedia descanso, mas a minha mente estava exatamente onde sempre quis estar.
julho foi um mês intenso de preparação, o que me fez evoluir muito rápido como artista. conheci pessoas incríveis que tornaram esse período o mais marcante do meu ano e que somaram demais no meu desenvolvimento técnico e cênico. coloquei na cabeça que aproveitaria cada segundo como se fosse o último e, sempre que chegava em casa, pedia pro meu cérebro guardar cada uma daquelas sensações na memória.
22&23.08 | Teatro Newton Rossi, SESC Ceilândia (uma sessão por dia)
























além do ensemble, interpretei a cafetina que vendia Fantine para ganhar uns trocados. por menor que tenha sido a participação, foi o suficiente pra me destravar, me deixar mais desinibida e me fazer abraçar o teatro por inteiro. em menos de um mês, a Yamana da última sessão já era outra em comparação com a da estreia: eu estava muito mais confiante e me divertindo de verdade no palco.
sempre que alguém me fala que não gosta de musical, eu respondo que é porque ainda não foi no teatro assistir a um espetáculo ao vivo. é mágico! é vivo! é cativante! estar nos bastidores dessa montagem foi uma das maiores escolas da minha vida artística, e sou imensamente grata por cada instante.














ao todo, foram 7 apresentações pelo Distrito Federal no mês de agosto: 6 sessões do espetáculo na íntegra e uma no formato in concert. passamos por Gama, Ceilândia, Águas Claras e pela Escola de Música de Brasília. foi indescritível pisar no palco de cada um desses teatros.
deu nervoso, bateu medo de dar ruim, erramos – claro -, mas, no final, o que ficava depois de cada sessão era a sensação de dever cumprido. as risadas e dancinhas na coxia, os tropeços que só a gente notava, os imprevistos em cena, o desespero das trocas rápidas de figurino e as lágrimas que derrubamos (eu, principalmente) deixaram tudo ainda mais inesquecível.
no momento em que entramos na última cena para cantar a canção da revolução, passou um filme na minha cabeça de tudo o que vivemos nesses dois meses de Miseráveis. é algo difícil de colocar em palavras. eu olhava para o elenco ao meu lado no palco, para a plateia nos aplaudindo de pé, e meu peito só se enchia de gratidão. as lágrimas foram, antes de tudo, de saudade do que chegava ao fim e de um orgulho gigante de tudo o que construímos ali.
30.08 | Teatro CAESB, Águas Claras (duas sessões)























ah, e vale destacar: montar Os Miseráveis em Brasília só foi possível graças ao apoio do FAC DF, o Fundo de Apoio à Cultura. foi esse incentivo que permitiu a pessoas de várias regiões do DF assistirem gratuitamente a uma obra grandiosa, necessária e tão atual.
quando bato na tecla de que a cultura precisa ser valorizada, é exatamente por isso: para democratizar o acesso à arte e à educação da população. a gente precisa de música. a gente precisa de teatro. a gente precisa de literatura. a gente precisa da cultura viva e valorizada!


gravei um vlogão de todo esse processo pra vocês verem de pertinho os bastidores desse musical! só dar o play 🤎
Os Miseráveis, muito obrigada por esses dois meses lindos e intensos. faria tudo de novo!
